Caminhos para o acolhimento de pessoas com deficiência nas obras e nos escritórios

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Em 21 de setembro temos uma data importante a ser lembrada: o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. E esse costuma ser um momento pertinente para uma reflexão fundamental: após 11 anos da promulgação da LBI (Lei Brasileira de Inclusão), reconhecemos que já demos passos importantes, mas ainda há muito caminho a se percorrer para a construção de ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos.

O setor da construção há alguns anos se fez a seguinte pergunta: é possível incluir pessoas com deficiência no canteiro com segurança? Naquele momento, foram mobilizados vários esforços e realizados estudos que comprovaram essa viabilidade. Hoje, anos depois, resgatamos aprendizados daquele período que continuam sendo mais do que atuais: para a inclusão acontecer, é preciso que haja: planejamento e conhecimento sobre as pessoas e sobre o trabalho que será realizado; acessibilidade, informação e qualificação. Mas exige também disposição para rever práticas que, muitas vezes, criam barreiras sem que sequer percebamos.

Acolher uma pessoa com deficiência não significa só garantir sua contratação a fim de cumprir uma obrigação legal. É necessário se perguntar: ela consegue acessar todo o ambiente plenamente? As informações são compreensíveis e acessíveis? Os recursos de trabalho permitem que desempenhe suas atividades em condições equitativas, com igualdade de oportunidades e autonomia em um ambiente livre de discriminação?

Essas perguntas nos ajudam a compreender uma das principais lições que carregamos da construção civil: antes de construir, é preciso conhecer e mapear o terreno que se tem.

E a inclusão também exige que conheçamos o nosso terreno. É preciso olhar para as estruturas, para os processos, mas também para as nossas atitudes e relações. Algumas barreiras são visíveis. Outras, não exatamente.

Nem todas as barreiras exigem reformas, altos investimentos ou a compra de equipamentos específicos. Algumas barreiras estão muito mais perto de nós: na forma como falamos, como agimos, como recebemos as pessoas, nos preconceitos, nos estereótipos e na falta de informação. Nossa maneira de nos relacionarmos pode facilitar a inclusão ou, ao contrário, tornar o ambiente ainda mais difícil para quem já encontra obstáculos no seu dia a dia.

Por isso, fortalecer uma cultura organizacional baseada no respeito é responsabilidade de todos, pois ambientes de trabalho respeitosos e acolhedores também são ambientes mais seguros. Um ambiente seguro é aquele em que todas as pessoas conseguem participar, comunicar-se, deslocar-se e trabalhar com autonomia, respeito e dignidade.

A inclusão fortalece as equipes, melhora os processos e torna a empresa mais preparada para atender às necessidades de uma sociedade cada vez mais diversa.

Neste 21 de setembro, o convite é para que continuemos construindo. Nas obras, nos escritórios e em todos os nossos espaços, contratar é importante, mas não encerra o processo. Depois da contratação, é preciso garantir condições para que aquela pessoa permaneça, participe, se desenvolva e encontre espaço para contribuir.

Esse é o desafio que temos diante de nós: continuar construindo ambientes em que as diferenças não sejam motivo para limitar a participação das pessoas, mas parte natural da diversidade que existe em qualquer ambiente de trabalho.

Por: Erika Godoy, Coordenadora de Diversidade, Equidade e Inclusão do Seconci-SP.