No painel “Gestão em Saúde Integral — Dados para Melhoria da Saúde e da Produtividade, médico defendeu decisões orientadas por objetivos, evidências e responsabilidade
O doutor em Ciências da Saúde e assessor de novos negócios de saúde da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Leandro Pereira Garcia, falou sobre a importância dos dados para melhoria da saúde e da produtividade, com foco na atuação da regional de Santa Catarina. Sua apresentação foi mediada pelo médicoGiancarlo Brandão, superintendente ambulatorial do Seconci-SP, e abordou como transformar dados em informação e conhecimento para apoiar a gestão em saúde.
Para Dr. Leandro, o trabalho deve começar pela definição de objetivos, e não pela exploração de grandes bases de dados sem uma pergunta clara. “Eu tenho o meu objetivo, e depois eu uso os dados para alcançar esse objetivo”, resumiu. Com os objetivos definidos, os dados ajudam a compreender a situação atual, identificar desafios, planejar ações, acompanhar sua implementação e avaliar os resultados — em um ciclo relacionado ao PDCA.
De acordo com ele, na saúde, esse planejamento precisa considerar três dimensões: melhorar a saúde da população, oferecer uma boa experiência ao paciente, com respeito à sua dignidade, e garantir a sustentabilidade dos serviços e sistemas. O palestrante relacionou esse equilíbrio ao conceito de Triple Aim.
Outro ponto central foi a influência dos determinantes sociais da saúde. Alimentação, educação, trabalho, renda, habitação e saneamento também afetam as condições de vida e saúde. Por isso, embora os serviços de saúde sejam essenciais, eles não são suficientes, isoladamente, para melhorar a saúde de uma população.
Ao comparar diferentes formas de organização dos sistemas de saúde, Dr. Leandro destacou a atenção primária como caminho para coordenar o cuidado e orientar as pessoas em uma rede complexa de serviços. Também chamou a atenção para o valor dos dados de saúde ocupacional e para o papel dos profissionais que conhecem os trabalhadores e seus ambientes de trabalho. “Dado por dado, BI por BI, não adiantam”, afirmou, ressaltando que as informações precisam chegar a pessoas qualificadas para serem interpretadas e utilizadas na tomada de decisão.
Na conclusão, o palestrante defendeu que a inovação em saúde avance com rigor científico, responsabilidade ética e atenção à regulamentação. “A gente precisa continuar inovando, mas com parcimônia, com rigor e com ética”, disse.
Texto: Sidney Rocha




