Auditor fiscal do trabalho Mauro Müller destacou a integração dos fatores psicossociais ao gerenciamento de riscos ocupacionais
A prevenção dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho foi tema de um dos painéis do Encontro de Seconcis (ENSE) 2026, realizado em Florianópolis (SC). A apresentação foi conduzida pelo auditor fiscal do trabalho Mauro Müller e mediada pela gerente de Segurança do Trabalho do Seconci-DF, Juliana Moreira, e pelo representante do Seconci-SP, Giancarlo Brandão.
Durante a palestra, Müller destacou que os fatores psicossociais devem ser considerados dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), em integração com a NR-17. Segundo ele, a abordagem deve observar aspectos relacionados à organização do trabalho, como ritmo, exigências de tempo, demandas cognitivas, relações interpessoais, suporte, reconhecimento e distribuição das atividades.
O auditor ressaltou que os impactos desses fatores não se restringem aos transtornos mentais. Dependendo das condições de trabalho, podem produzir diferentes consequências para a saúde dos trabalhadores e também gerar impactos para as empresas, como afastamentos, absenteísmo, rotatividade e perda de produtividade.
Para Müller, o principal objetivo deve ser a prevenção, com atuação sobre as causas dos riscos. Ele destacou que o gerenciamento não deve ser reduzido à elaboração de documentos, mas constituir um processo contínuo de identificação dos perigos, avaliação dos riscos, adoção de medidas preventivas, acompanhamento e revisão das ações. “O mais importante não é o papel. É o processo”, afirmou.
Organização do trabalho
Entre os fatores que podem ser identificados no ambiente de trabalho, Müller citou situações de violência, problemas na gestão das mudanças, falta de clareza sobre funções, ausência de suporte e reconhecimento, baixa justiça organizacional e excesso de demandas.
O auditor também destacou a importância da participação dos trabalhadores na identificação dos riscos e do compromisso da alta administração para que as medidas de prevenção sejam efetivamente implementadas.
Müller alertou ainda que questionários e outras ferramentas podem auxiliar no levantamento de informações, mas não devem ser tratados como soluções isoladas. Para ele, é necessário avaliar as condições reais de trabalho e acompanhar se as medidas adotadas estão produzindo os resultados esperados.
Ao concluir, o auditor reforçou que a prevenção dos riscos psicossociais deve fazer parte de um processo permanente de gestão, com atuação sobre as condições e a organização do trabalho e busca contínua pela melhoria do ambiente profissional.
O painel integrou a programação do ENSE 2026, que reuniu representantes dos Seconcis de diferentes estados para compartilhar experiências e discutir estratégias relacionadas à saúde e segurança dos trabalhadores da construção civil.




