Seconci-Rio participa de debate sobre impactos da nova NR-1 nas empresas

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Evento promovido pelo Sinduscon-Rio discutiu riscos psicossociais e mudanças na gestão de saúde e segurança no trabalho

O Seconci-Rio participou, na última quarta-feira (29/4), do evento “NR-1 Além do Papel”, promovido pelo Sinduscon-Rio, que reuniu especialistas e profissionais do setor para debater as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 e seus impactos na gestão das empresas, especialmente no que diz respeito aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Na abertura do encontro, o superintendente do Seconci-Rio, Nelson Rebel, destacou que o cuidado com a saúde e a segurança do trabalhador deve ir além do cumprimento de normas. “Cuidar da saúde e da segurança do trabalhador não é uma resposta à norma. É uma responsabilidade que sempre esteve com as empresas. O que muda agora é que os riscos psicossociais entram, de vez, na agenda de gestão”, afirmou. A mesa de abertura também contou com a presença do conselheiro do Sinduscon-Rio e diretor do Seconci-Rio, Luiz Carlos Rio Tinto de Matos.

Durante sua participação, Rebel ressaltou que o tema precisa ser incorporado à rotina das empresas, independentemente de prazos ou fiscalização. Ele chamou atenção para o cenário nacional, destacando que, somente em 2024, mais de 470 mil brasileiros se afastaram do trabalho por transtornos mentais, o maior número já registrado no país. Segundo o superintendente, a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 reforça a necessidade de uma gestão mais estruturada, com foco em acompanhamento, prevenção e atenção às equipes. Ele também apresentou iniciativas desenvolvidas pelo Seconci-Rio, como a atuação integrada das equipes de saúde e segurança nos canteiros de obra, além de ferramentas de avaliação e capacitação de gestores e lideranças.

Na programação técnica, a consultora de saúde do Seconci-Rio, Gilda Araújo, abordou a identificação e prevenção dos fatores psicossociais nas empresas. Segundo ela, esses riscos devem seguir a mesma lógica dos demais riscos ocupacionais, com etapas de identificação, avaliação, registro e elaboração de plano de ação. A especialista também destacou a importância da escuta ativa dos trabalhadores e da adaptação das estratégias à realidade do setor. “O público da construção está mudando e precisamos valorizar esse trabalhador, fazer escuta ativa. Não se trata de colocar psicólogo na empresa, não adianta ações sem fundamento”, afirmou. Ela ressaltou ainda o papel do DDS como ferramenta importante para identificar riscos no cotidiano. “Vamos ouvir, vamos fazer ele ser entendido. Precisamos dessa escuta. Escuta é prevenção”, completou.

Entre os principais fatores de atenção citados pela consultora estão o ritmo acelerado de trabalho, o acúmulo de funções, as horas extras frequentes, falhas de comunicação e a falta de qualificação adequada. Gilda também destacou a importância do monitoramento de indicadores como absenteísmo, presenteísmo, acidentes, rotatividade e denúncias internas como forma de orientar ações preventivas.

O evento reuniu ainda profissionais de diferentes empresas do setor para compartilhar experiências práticas de gestão em campo, entre elas representantes da CEU Engenharia, RJZ Cyrela e Direcional Engenharia. A programação contou também com palestra da auditora-fiscal do trabalho Ana Luiza Horcades, que apresentou pontos recorrentes nas inspeções e tendências de fiscalização nas obras.

A participação como apoiador do evento reforça a parceria entre o Seconci-Rio e o Sinduscon-Rio, além do compromisso das entidades com o fortalecimento de ações voltadas à saúde e à segurança no setor da construção civil.